O DIA EM QUE O PS/2 VIROU GUERRA DE PADRÃO - 1988
20 DE JANEIRO
O DIA EM QUE O PS/2 VIROU GUERRA DE PADRÃO
Em 20 de janeiro de 1988, um grupo de pequenas empresas anunciou que havia avançado no desenvolvimento de microprocessadores e software capazes de abrir caminho para clones compatíveis da linha IBM PS/2.
A resposta foi imediata: a IBM ameaçou ação legal para proteger sua tecnologia.
Sem “padrão aberto”.
Sem “open source”.
Sem ecossistema amigável.
Apenas uma disputa silenciosa por uma coisa muito simples:
quem decide as regras do computador.
O PS/2 nasceu como a tentativa da IBM de retomar o controle do mercado que ela mesma ajudou a criar. O mundo já estava cheio de “compatíveis IBM PC”, e a empresa queria uma nova geração com peças e padrões mais difíceis de copiar — do barramento às camadas internas de sistema.
O anúncio dos “clones do PS/2” acendeu um alerta:
- padrões proprietários vs. compatibilidade
- inovação por ecossistema vs. inovação por controle
- hardware como “regra do jogo”
- direito, patentes e tecnologia disputando o futuro
A frase “clonar” parece só técnica, mas é política. Porque um clone não copia apenas uma máquina — ele copia acesso ao mercado, aos periféricos, aos softwares, à confiança do usuário. E quando a compatibilidade vira commodity, quem manda não é só quem fabrica — é quem define o padrão.
O futuro do PC não foi decidido por marketing. Foi decidido por compatibilidade.
Para os alunos da StoryMode, essa história é uma aula viva sobre padrões, interoperabilidade e como a inovação cresce (ou trava) dependendo das regras.
-
✔ Padrão é estratégia
Quem controla o padrão controla o ritmo da indústria — e a porta de entrada do mercado. -
✔ “Compatível” vale ouro
Ecossistemas vencem porque reduzem atrito: software, periféricos, confiança e hábito. -
✔ O invisível manda
Barramentos, BIOS, protocolos e interfaces definem o que “funciona” — mesmo sem o usuário ver. -
✔ Design de ecossistema
Produto não é só interface: é integração, padrões, documentação e previsibilidade. -
✔ Inovar também é negociar
Tecnologia, mercado e lei se cruzam o tempo todo — e isso muda o que chega ao mundo.
Porque no fim, toda disputa tecnológica vira uma disputa por controle — do padrão, do mercado e do futuro.
"O Guardião do Padrão"
🧩 "Quem define as regras, define o mundo que pode existir."
Desafio: “Crie um padrão e veja quem adere.”
Peça aos alunos para criarem um “padrão de compatibilidade” para um sistema fictício:
- O que precisa ser compatível (arquivos, peças, regras, linguagem)?
- Quem ganha e quem perde com um padrão fechado vs. aberto?
- Como incentivar adoção (documentação, testes, selo “compatível”)?
Depois, transforme em:
um mini “manual de padrão”,
uma tabela de compatibilidade,
um selo de certificação,
ou um pitch defendendo “aberto” vs “proprietário”.
É um exercício direto para entender que padrões criam (ou travam) ecossistemas.

